ATIVIDADE FORMATIVA PARA TREINADORES AFA: Etapa de aprendizagem: 9–12 anos (9)

Nona atividade formativa para treinadores AFA

ATIVIDADE FORMATIVA PARA TREINADORES AFA: Etapa de aprendizagem: 9–12 anos (9)

Treino em estrutura geométrica de losango

Destinatários: Treinadores da Academia de Futebol de Angola (AFA)

Introdução e sentido formativo

A presente atividade formativa dá continuidade direta à sétima e à oitava atividades formativas, constituindo a sua aplicação prática e aprofundando a utilização do treino em estrutura geométrica, especificamente através da figura do losango.

Atividade formativa para treinadores da AFA

Este conteúdo representa um passo fundamental na formação do treinador AFA, uma vez que consolida a integração real e funcional do trabalho técnico e tático a partir de uma perspetiva pedagógica, progressiva e ajustada às etapas sensíveis da aprendizagem entre os 9 e os 12 anos. O objetivo não é apenas treinar gestos técnicos de forma isolada, mas ensinar a jogar através da forma de treinar, construindo hábitos de jogo coerentes desde idades precoces.

A atividade apoia-se na análise de vídeos de treino nos quais os jogadores desenvolvem tarefas de técnica coletiva com elevada carga coordenativa, organizadas a partir de relações espaciais previamente definidas. Este tipo de proposta enquadra-se no que a metodologia denomina treino em estrutura: um modelo que organiza a aprendizagem do jogo a partir de posições, relações funcionais e movimentos coordenados.

Nesta nona atividade, todo o trabalho é desenvolvido dentro da estrutura geométrica de losango, figura base para a compreensão do jogo ofensivo, da circulação da bola e da ocupação racional do espaço, facilitando a criação de apoios, linhas de passe e vantagens coletivas.

Objetivos da atividade

  • Proporcionar orientações claras para o trabalho da técnica coletiva de controlo e passe dentro da estrutura de losango.
  • Iniciar o futebolista nos princípios táticos ofensivos básicos.
  • Integrar de forma progressiva o trabalho técnico com o trabalho tático.
  • Desenvolver capacidades coordenativas gerais e específicas do futebol.
  • Reforçar aspetos neuromotores, especialmente a lateralidade e o domínio de ambos os perfis (direito e esquerdo).

Fundamentação teórica

1.-O treino em estrutura como base metodológica

O treino em estrutura parte de um posicionamento inicial estático dos jogadores, a partir do qual se configuram diferentes figuras geométricas dentro do campo de jogo. Estas estruturas permitem estabelecer combinações e movimentos previamente definidos que facilitam a compreensão e a transferência dos principais princípios ofensivos do futebol.

A partir deste enfoque metodológico, perseguem-se vários objetivos fundamentais:

  • Iniciar a aprendizagem técnica do controlo e do passe num contexto organizado.
  • Criar automatismos coletivos coerentes com um modelo de jogo definido.
  • Progredir com a bola controlada em direção à baliza adversária, favorecendo o domínio do jogo e a finalização.
  • Conferir ordem e organização tática ao futebolista nas etapas iniciais.

2.-Correção de erros habituais na iniciação ao jogo

O treino em estrutura permite consciencializar o jogador e responder a muitos dos erros mais frequentes nestas idades, entre os quais:

  • Ocupação irracional do espaço.
  • Falta de amplitude e profundidade ofensiva.
  • Distâncias inadequadas entre jogadores.
  • Reduzida participação no jogo sem bola.
  • Défices nos desmarques e apoios.
  • Má estruturação das linhas de jogo.
  • Dificuldade em mudar a orientação do jogo.
  • Perda do equilíbrio ofensivo posicional.

3.-Formas de aplicação do trabalho tático

Táticas de grupo
Correspondem a ações realizadas por pequenas subunidades de jogadores que, pela proximidade ou afinidade funcional, devem atuar de forma coordenada para resolver situações de maior complexidade (por exemplo: centrais e médio defensivo, lateral–extremo–avançado, linha defensiva, médios).

Táticas coletivas ou de equipa
Envolvem a totalidade dos jogadores e exigem comportamentos sincronizados de todo o conjunto. Estas ações representam a expressão mais clara da ideia de jogo, tanto ofensiva como defensiva, configurando um estilo próprio, reconhecível e diferenciado.

4.-Princípios ofensivos trabalhados

O treino em estrutura tem como finalidade principal a aplicação prática dos princípios ofensivos do jogo e o ensino progressivo de conceitos táticos como:

  • Mobilidade ofensiva.
  • Desdobramentos.
  • Desmarques e apoios.
  • Ocupação de espaços livres.
  • Ajudas ofensivas e tabelas.
  • Amplitude e profundidade ofensiva.
  • Mudanças de orientação.
  • Velocidade e ritmo ofensivo.
  • Equilíbrio ofensivo e variações de ritmo.

5.-Aspetos-chave no planeamento metodológico

Na aplicação desta metodologia, devem ser considerados de forma sistemática os seguintes aspetos:

  • Trabalho com ambos os perfis.
  • Troca de posições para enriquecer a experiência motora.
  • Introdução progressiva de oposição passiva.
  • Combinação de jogo curto e jogo longo.
  • Progressão pedagógica baseada em combinações dentro da estrutura geométrica, orientação da estrutura segundo zonas e papéis, movimentos próprios do sistema de jogo e situações de finalização.
  • Incremento gradual da velocidade e intensidade através de passes tensos, orientação do passe para o perfil mais eficaz e redução do número de toques.
  • Evitar a receção estática: atacar a bola.
  • Comunicação visual prévia à ação.
  • Utilização de estruturas simétricas e assimétricas.
  • Integração de jogadores de diferentes linhas.
  • Progressão de ações grupais para ações coletivas.

Parte prática

Treino com ações combinadas na estrutura geométrica de LOSANGO.

Nona atividade formativa para treinadores AFA

Estrutura base: losango formado no sistema de jogo 1-3-1-2 por central, laterais e médio defensivo (trinco).

Combinações em losango

1.ª combinação
Passe e controlo orientado com desmarque lateral.

2.ª combinação
Passe e devolução de frente com tabela.
Desmarque em apoio.

3.ª combinação
Jogo curto e em profundidade através de tabela.
O jogador que realiza o passe de frente desloca-se rapidamente para oferecer apoio e dar continuidade à ação.

4.ª combinação
Passe e desmarque de rutura passando por trás do jogador que recebe a bola.
Aprendizagem da criação de situações de 2×1 com o companheiro portador da bola.

5.ª combinação
Passe para o segundo jogador da fila para jogar de primeira com o companheiro que ocupa a primeira posição.
Objetivo: criar duas linhas de passe.
Iniciação ao conceito de jogar com o terceiro homem.

6.ª combinação
Combinações de passe ao primeiro toque, ultrapassando um jogador.
Jogo de frente e passe em profundidade.
Alternância entre jogo curto e jogo longo.

7.ª combinação
Passe para o segundo jogador da fila para que o companheiro da primeira posição realize um desmarque de rutura, passando por trás do recetor.
Reforço da aprendizagem na criação de situações de 2×1.

Indicadores de observação para o treinador

Técnica coletiva

  • Precisão e intenção no passe.
  • Distâncias adequadas entre companheiros.
  • Apoio após a ação.
  • Continuidade do jogo.

Princípios táticos ofensivos

  • Mobilidade após a ação técnica.
  • Identificação de apoios e tabelas.
  • Orientação do jogo para a baliza.
  • Escolha adequada do momento de finalização.

Capacidades coordenativas e neuromotoras

  • Coordenação nos deslocamentos e mudanças de direção.
  • Fluidez entre controlo, passe e remate.
  • Utilização progressiva do perfil não dominante.
  • Adequação do gesto técnico à velocidade do jogo.

Atitude e comportamento

  • Confiança na execução.
  • Aceitação do erro como parte do processo de aprendizagem.
  • Concentração sustentada.
  • Respeito pelas normas, papéis e companheiros.

Conclusão

Esta nona atividade formativa oferece aos treinadores da AFA um modelo claro, estruturado e pedagógico para o trabalho da técnica coletiva nas idades dos 9 aos 12 anos através da estrutura geométrica de losango. A utilização do treino em estrutura, a progressão metodológica, a introdução de oposição passiva e a observação sistemática permitem consolidar aprendizagens técnicas, melhorar a coordenação e desenvolver a lateralidade, criando bases sólidas para a posterior transferência para o jogo real e para o futebol competitivo.


Autor: TeamBCN | Artículos

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