ATIVIDADE FORMATIVA PARA TREINADORES AFA: Etapa de aprendizagem: 9–12 anos (7)

ATIVIDADE FORMATIVA PARA TREINADORES AFA: Etapa de aprendizagem: 9–12 anos

ATIVIDADE FORMATIVA PARA TREINADORES AFA: Etapa de aprendizagem: 9–12 anos (7)

Destinatários: Treinadores da Academia de Futebol de Angola (AFA)

Introdução e sentido formativo

Esta sétima atividade formativa representa um passo fundamental na formação do treinador da AFA, ao aprofundar a integração real e funcional do trabalho técnico e tático a partir de uma perspetiva pedagógica e estruturada. Trata-se de um conteúdo de elevada relevância para dotar o treinador de ferramentas que lhe permitam ensinar como jogar através do como treinar, respeitando as etapas sensíveis da aprendizagem entre os 9 e os 12 anos.

Atividade formativa para treinadores da AFA

A atividade baseia-se na análise de um vídeo de treino em que os jogadores desenvolvem tarefas de técnica coletiva com uma forte componente coordenativa. Este tipo de proposta enquadra-se no que a metodologia BCNWinMethod denomina treino em estrutura, um modelo que organiza a aprendizagem do jogo a partir de posicionamentos, relações e movimentos previamente definidos.

Objetivos da atividade

  • Fornecer orientações claras para o trabalho da técnica coletiva: controlo e passe.
  • Iniciar o futebolista nos princípios táticos ofensivos básicos.
  • Integrar de forma progressiva o trabalho técnico com o tático.
  • Desenvolver capacidades coordenativas, gerais e específicas do futebol.
  • Reforçar aspetos neuromotores, em especial a lateralidade e o domínio de ambos os perfis (direito e esquerdo).

Fundamentação teórica

1.-O treino em estrutura como base metodológica

A partir do posicionamento inicial dos jogadores numa fase estática do jogo, configuram-se diferentes figuras geométricas dentro do campo. Estas estruturas permitem estabelecer combinações e movimentos previamente definidos que facilitam a transferência dos principais princípios ofensivos do futebol.

Através desta abordagem pretendem-se alcançar os seguintes objetivos:

  • Iniciar a aprendizagem técnica do controlo e do passe num contexto organizado.
  • Criar automatismos coletivos coerentes com um modelo de jogo definido.
  • Progredir com a bola controlada em direção à baliza adversária, favorecendo o domínio do jogo e a finalização.
  • Proporcionar ordem e organização tática ao futebolista em idades iniciais.

2.-Correção de erros frequentes na iniciação ao jogo

O treino em estrutura permite consciencializar e dar resposta a muitos dos erros mais comuns nestas idades, tais como:

  • Ocupação irracional do espaço.
  • Falta de largura e profundidade ofensiva.
  • Distâncias inadequadas entre jogadores.
  • Fraca participação no jogo sem bola.
  • Défices nos desmarques e apoios.
  • Má estruturação das linhas de jogo.
  • Dificuldade em mudar a orientação do jogo.
  • Perda do equilíbrio ofensivo posicional.

3.-Formas de aplicação do trabalho tático

A metodologia desenvolve-se através de duas grandes formas de trabalho:

Táticas de grupo
Correspondem a ações realizadas por pequenas subunidades de jogadores que, pela proximidade ou afinidade funcional, devem atuar de forma coordenada para resolver situações de maior complexidade. Exemplos destes grupos são: guarda-redes e centrais, laterais e extremos, linha defensiva, médios-centro, entre outros.

Táticas coletivas ou de equipa
Envolvem a totalidade dos jogadores e exigem comportamentos sincronizados de todo o conjunto. Estas ações representam a expressão mais clara da ideia de jogo, tanto ofensiva como defensiva, e configuram um estilo próprio, reconhecível e diferenciado.

4.-Princípios ofensivos trabalhados

O treino em estrutura tem como finalidade principal a aplicação prática dos princípios ofensivos do jogo e o ensino progressivo de conceitos táticos. Na planificação deste trabalho incide-se, entre outros, sobre:

  • Mobilidade ofensiva.
  • Desdobramentos ofensivos.
  • Desmarques e apoios.
  • Ocupação de espaços livres.
  • Ajudas ofensivas e tabelas.
  • Largura e profundidade ofensiva.
  • Mudanças de orientação.
  • Velocidade e ritmo ofensivo.
  • Equilíbrio ofensivo e mudanças de ritmo.

5.-Aspetos-chave na planificação metodológica

Nesta metodologia devem estar sempre presentes os seguintes aspetos:

  • Trabalho sistemático com ambos os perfis.
  • Troca de posições para enriquecer a experiência motora do jogador.
  • Introdução de oposição passiva para aumentar a intensidade cognitiva e motora.
  • Combinação de jogo curto e longo.
  • Progressão pedagógica baseada em:
    • Combinações dentro da estrutura geométrica.
    • Orientação da estrutura de acordo com zonas e funções específicas.
    • Movimentos próprios do sistema de jogo.
    • Situações de finalização.
  • Aumento da velocidade e intensidade através de:
    • Passes fortes e tensos.
    • Direcionamento do passe para o perfil mais eficaz.
    • Utilização do mínimo número de toques (controlo–passe).
  • Evitar receções estáticas: atacar a bola.
  • Comunicação visual antes da ação.
  • Consignas de comunicação motora:
    • A receção da bola deve responder ao tipo de desmarque realizado pelo companheiro.
  • Utilização de estruturas simétricas e assimétricas.
  • Integração de jogadores de diferentes linhas.
  • Progressão de ações combinadas de grupo para ações combinadas coletivas.

Parte prática – Descrição da tarefa

O vídeo analisado valoriza as considerações pedagógicas necessárias para este tipo de treino. Apresenta diferentes estruturas geométricas (triângulo, meio hexágono, losango), contextualizadas em várias zonas do campo e adaptadas ao sistema de jogo.

As tarefas demonstram combinações orientadas tanto para a saída de bola como para a finalização, incorporando movimentos coordenados e sequências de passe que reforçam a compreensão do jogo coletivo.

Indicadores de observação para o treinador

(Bloco comum AFA – Etapa 9–12 anos)

Técnica coletiva

  • Executa passes com intenção e precisão.
  • Mantém distâncias adequadas com os colegas.
  • Oferece apoio após o passe.
  • Facilita a continuidade do jogo.

Princípios táticos ofensivos

  • Apresenta mobilidade após a ação técnica.
  • Reconhece situações de apoio e tabela.
  • Orienta a combinação em direção à baliza.
  • Identifica o momento adequado para finalizar.

Capacidades coordenativas e neuromotoras

  • Demonstra coordenação nos deslocamentos e mudanças de direção.
  • Apresenta fluidez entre controlo, passe e remate.
  • Melhora progressivamente o uso do perfil não dominante.
  • Adapta o gesto técnico à velocidade da ação.

Atitude e comportamento

  • Demonstra confiança na execução.
  • Aceita o erro como parte do processo de aprendizagem.
  • Mantém a concentração durante a tarefa.
  • Respeita regras, funções e colegas.

Conclusão

Esta sétima atividade formativa oferece aos treinadores da AFA um modelo claro, estruturado e pedagógico para o trabalho da técnica coletiva em jogadores dos 9 aos 12 anos. O recurso ao treino em estrutura, a progressão metodológica, a oposição passiva e a observação sistemática facilitam a consolidação técnica, o desenvolvimento coordenativo e a melhoria da lateralidade, criando bases sólidas para a posterior transferência para situações reais de jogo e para o futebol competitivo.


Autor: TeamBCN | Artículos

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