20 Fev ATIVIDADE FORMATIVA PARA TREINADORES AFA: Etapa de aprendizagem: 9–12 anos (7)
Destinatários: Treinadores da Academia de Futebol de Angola (AFA)
Introdução e sentido formativo
Esta sétima atividade formativa representa um passo fundamental na formação do treinador da AFA, ao aprofundar a integração real e funcional do trabalho técnico e tático a partir de uma perspetiva pedagógica e estruturada. Trata-se de um conteúdo de elevada relevância para dotar o treinador de ferramentas que lhe permitam ensinar como jogar através do como treinar, respeitando as etapas sensíveis da aprendizagem entre os 9 e os 12 anos.

A atividade baseia-se na análise de um vídeo de treino em que os jogadores desenvolvem tarefas de técnica coletiva com uma forte componente coordenativa. Este tipo de proposta enquadra-se no que a metodologia BCNWinMethod denomina treino em estrutura, um modelo que organiza a aprendizagem do jogo a partir de posicionamentos, relações e movimentos previamente definidos.
Objetivos da atividade
- Fornecer orientações claras para o trabalho da técnica coletiva: controlo e passe.
- Iniciar o futebolista nos princípios táticos ofensivos básicos.
- Integrar de forma progressiva o trabalho técnico com o tático.
- Desenvolver capacidades coordenativas, gerais e específicas do futebol.
- Reforçar aspetos neuromotores, em especial a lateralidade e o domínio de ambos os perfis (direito e esquerdo).
Fundamentação teórica
1.-O treino em estrutura como base metodológica
A partir do posicionamento inicial dos jogadores numa fase estática do jogo, configuram-se diferentes figuras geométricas dentro do campo. Estas estruturas permitem estabelecer combinações e movimentos previamente definidos que facilitam a transferência dos principais princípios ofensivos do futebol.
Através desta abordagem pretendem-se alcançar os seguintes objetivos:
- Iniciar a aprendizagem técnica do controlo e do passe num contexto organizado.
- Criar automatismos coletivos coerentes com um modelo de jogo definido.
- Progredir com a bola controlada em direção à baliza adversária, favorecendo o domínio do jogo e a finalização.
- Proporcionar ordem e organização tática ao futebolista em idades iniciais.
2.-Correção de erros frequentes na iniciação ao jogo
O treino em estrutura permite consciencializar e dar resposta a muitos dos erros mais comuns nestas idades, tais como:
- Ocupação irracional do espaço.
- Falta de largura e profundidade ofensiva.
- Distâncias inadequadas entre jogadores.
- Fraca participação no jogo sem bola.
- Défices nos desmarques e apoios.
- Má estruturação das linhas de jogo.
- Dificuldade em mudar a orientação do jogo.
- Perda do equilíbrio ofensivo posicional.
3.-Formas de aplicação do trabalho tático
A metodologia desenvolve-se através de duas grandes formas de trabalho:
Táticas de grupo
Correspondem a ações realizadas por pequenas subunidades de jogadores que, pela proximidade ou afinidade funcional, devem atuar de forma coordenada para resolver situações de maior complexidade. Exemplos destes grupos são: guarda-redes e centrais, laterais e extremos, linha defensiva, médios-centro, entre outros.
Táticas coletivas ou de equipa
Envolvem a totalidade dos jogadores e exigem comportamentos sincronizados de todo o conjunto. Estas ações representam a expressão mais clara da ideia de jogo, tanto ofensiva como defensiva, e configuram um estilo próprio, reconhecível e diferenciado.
4.-Princípios ofensivos trabalhados
O treino em estrutura tem como finalidade principal a aplicação prática dos princípios ofensivos do jogo e o ensino progressivo de conceitos táticos. Na planificação deste trabalho incide-se, entre outros, sobre:
- Mobilidade ofensiva.
- Desdobramentos ofensivos.
- Desmarques e apoios.
- Ocupação de espaços livres.
- Ajudas ofensivas e tabelas.
- Largura e profundidade ofensiva.
- Mudanças de orientação.
- Velocidade e ritmo ofensivo.
- Equilíbrio ofensivo e mudanças de ritmo.
5.-Aspetos-chave na planificação metodológica
Nesta metodologia devem estar sempre presentes os seguintes aspetos:
- Trabalho sistemático com ambos os perfis.
- Troca de posições para enriquecer a experiência motora do jogador.
- Introdução de oposição passiva para aumentar a intensidade cognitiva e motora.
- Combinação de jogo curto e longo.
- Progressão pedagógica baseada em:
- Combinações dentro da estrutura geométrica.
- Orientação da estrutura de acordo com zonas e funções específicas.
- Movimentos próprios do sistema de jogo.
- Situações de finalização.
- Aumento da velocidade e intensidade através de:
- Passes fortes e tensos.
- Direcionamento do passe para o perfil mais eficaz.
- Utilização do mínimo número de toques (controlo–passe).
- Evitar receções estáticas: atacar a bola.
- Comunicação visual antes da ação.
- Consignas de comunicação motora:
- A receção da bola deve responder ao tipo de desmarque realizado pelo companheiro.
- Utilização de estruturas simétricas e assimétricas.
- Integração de jogadores de diferentes linhas.
- Progressão de ações combinadas de grupo para ações combinadas coletivas.
Parte prática – Descrição da tarefa
O vídeo analisado valoriza as considerações pedagógicas necessárias para este tipo de treino. Apresenta diferentes estruturas geométricas (triângulo, meio hexágono, losango), contextualizadas em várias zonas do campo e adaptadas ao sistema de jogo.
As tarefas demonstram combinações orientadas tanto para a saída de bola como para a finalização, incorporando movimentos coordenados e sequências de passe que reforçam a compreensão do jogo coletivo.
Indicadores de observação para o treinador
(Bloco comum AFA – Etapa 9–12 anos)
Técnica coletiva
- Executa passes com intenção e precisão.
- Mantém distâncias adequadas com os colegas.
- Oferece apoio após o passe.
- Facilita a continuidade do jogo.
Princípios táticos ofensivos
- Apresenta mobilidade após a ação técnica.
- Reconhece situações de apoio e tabela.
- Orienta a combinação em direção à baliza.
- Identifica o momento adequado para finalizar.
Capacidades coordenativas e neuromotoras
- Demonstra coordenação nos deslocamentos e mudanças de direção.
- Apresenta fluidez entre controlo, passe e remate.
- Melhora progressivamente o uso do perfil não dominante.
- Adapta o gesto técnico à velocidade da ação.
Atitude e comportamento
- Demonstra confiança na execução.
- Aceita o erro como parte do processo de aprendizagem.
- Mantém a concentração durante a tarefa.
- Respeita regras, funções e colegas.
Conclusão
Esta sétima atividade formativa oferece aos treinadores da AFA um modelo claro, estruturado e pedagógico para o trabalho da técnica coletiva em jogadores dos 9 aos 12 anos. O recurso ao treino em estrutura, a progressão metodológica, a oposição passiva e a observação sistemática facilitam a consolidação técnica, o desenvolvimento coordenativo e a melhoria da lateralidade, criando bases sólidas para a posterior transferência para situações reais de jogo e para o futebol competitivo.
| Autor: TeamBCN | Artículos | |
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